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Faça-se luz

Depois de quase 80 anos desde sua criação, o LED consegue fixar bases sólidas no mercado de comunicação visual

Faça-se luz

Depois de quase 80 anos desde sua criação, o LED consegue fixar bases sólidas no mercado de comunicação visual


Tecnologia permite formação de inúmeras cores diferentes

Por: Amon Borges

As questões ambientais ganham cada vez mais destaque no cotidiano das empresas e pessoas. Há uma grande preocupação - e com razão - em relação à preservação do planeta. O segmento de comunicação visual não se exonera disso: há uma busca dos profissionais da área por soluções novas e mais adequadas. Uma delas é o LED.

Essa tecnologia começa a mostrar suas vantagens e ganhar cada vez mais espaço no mercado. “Lá fora, já está mais difundida. É algo que começa a se desenvolver de forma mais forte no Brasil. Tem relação com questões ligadas à sustentabilidade e responsabilidade ecológica, porque o LED não tem efeitos nocivos ao meio ambiente, diferentemente do neon.”, ressalta Jairo Andrade, gerente comercial da Vinilsul.

Até a inserção mais sólida nesse contexto, o “Light-Emitting Diode” (ou, em bom português, o “Diodo Emissor de Luz”) esperou um longo tempo. Surgiu na década de 1920, mas foi apenas nos anos 60 que os primeiros modelos de uso comercial se desenvolveram, com componentes utilizados até hoje: gálio, arsênio e fósforo. E, ainda mais tarde, é que o LED saiu da escuridão e afirmou presença, adentrando o mercado de comunicação visual e iluminação de ambientes.
 
Atualmente, o LED é considerado o principal substituto no ramo de comunicação visual para o neon. As distinções podem ser observadas já na etapa produção dos objetos. O neon passa por um processo de fabricação bem artesanal: uma peça de vidro é aquecida e moldada. O próximo passo é encher de gás (argônio ou neônio) o tubo que se formou, engatando eletrodos em cada uma das pontas e alimentando com um transformador de 6 mil volts ou 12 mil volts.

Já o LED possui um sistema eletrônico, no qual um chip o faz acender. “O processo de fabricação dele é injeção plástica na carcaça, prensagem dos terminais e inserção dos componentes internos no sistema de COB (chip on board). Feito isso, gera-se uma matriz para fazer a placa do circuito impresso. Em seguida, são colocados os LEDs, o resistor e os componentes necessários”, explica André Augusto, diretor de vendas da Spartech.

Geralmente, os fabricantes disponibilizam esse produto em circuitos similares às luzes de enfeite de natal: em um fio, são agregadas as luzes que perpassam toda fiação.

Fonte de oportunidades
O gerente comercial da Vinilsul, separa dois grandes mercados nos quais o LED está inserido: o de comunicação visual (letreiros, fachadas) e o de arquitetura e decoração.

Juntamente com as lâmpadas fluorescentes e o neon, o LED se destaca na área de sinalização visual. Pode ser empregado tanto em mídia indoor quanto outdoor. Hoje, esse modelo é aplicado de muitas formas diferentes:
- iluminação de visores (celular, computador);
- painéis de carros;
- indicativos de espera e energia (power, stand by);
- enfeites;
- logomarcas de lojas. 

É possível ainda ver essa tecnologia em aplicações como letras-caixas, peças para fachadas, letreiros luminosos, entre outros. “A luz permite obter um jogo de sombra, valorizar imagens, dar uma outra cara, uma outra variação de cor. Isso varia com o projeto. Ele é um emissor de luz, e você pode compor da forma que achar conveniente”, comenta Andrade.

Pode-se observar a versatilidade que essa nova alternativa de iluminação possui. “Tanto o LED como o neon podem ser aplicados em estruturas de pequeno, médio ou grande portes. A diferença é que o LED, dependendo do modelo e de suas dimensões, pode ser aplicado em locais com medidas extremamente reduzidas”, conclui Reginaldo.


Tipos de LED
Basicamente, existem três tipos:
-SMD (surface mount device);
-“piranha”;
- DIP (dual in-line package).

O primeiro possui baixa temperatura, alta potência, baixo consumo e alta eficiência luminosa. Já o “piranha” precisa ter a placa furada e, para evitar curto-circuito, é fundamental impedir sua inserção em superfícies metálicas. O DIP apresenta o mesmo problema do “piranha” e, por isso, não deve ser exposto à umidade e intempéries. Segundo o diretor de vendas da Spartech, no SMD, não há necessidade de encapsulamento, enquanto nos demais tem de ser feita a proteção da parte externa da placa.

Por essas razões, o SMD possui maior demanda. “É o mais utilizado porque tem o rendimento maior. Tem destaque em termos de eficiência. Por ter tamanho reduzido, você consegue aplicá-lo com rendimento muito maior, por exemplo, dentro de uma caixa, com consumo de energia muito mais reduzido”, constata Reginaldo Rotondo, supervisor de vendas da NP do Brasil.

Entretanto, por ser um produto relativamente novo no cenário de comunicação visual, existem enganações. “O problema é que tem muita gente vendendo LED. E como o mercado é carente, no que diz respeito ao conhecimento técnico do produto, acabam vendendo ‘gato por lebre’ a quem não conhece a tecnologia. Porque tem o encapsulado que é bom, mas não oferece o mesmo rendimento, nem a mesma durabilidade de um SMD”, alerta Rotondo.

É aconselhável comprar LEDs sempre de empresas idôneas que tenham em seu quadro profissionais qualificados, capazes de oferecer orientações técnicas de dimensionamento e cuidados na instalação.

Cores
Como a gama de cores desse tipo de luz é restrita, para variar as tonalidades o usuário pode mesclar as principais, que são:
- amarelo;
- branco;
- âmbar (alaranjado);
- verde;
- vermelho;
-azul.
Quanto à cor branca, Rotondo destaca um fato curioso: “O branco tem uma característica interessante. Não existe LED na cor branca. Na verdade, é um diodo emissor de luz azul associado ao fósforo amarelo. Por isso, toda vez que você pegar um diodo de LED branco, você pode notar uma pigmentação amarelada em torno dos cátodos e ânodos do dispositivo”.

Com um sistema de gerenciamento, é possível ainda criar diferentes nuances de cores. O LED do tipo RGB (Red, Green, Blue) contém as três cores: vermelho, verde e azul. Por meio de um equipamento que faz a dimerização dessas cores, é possível chegar a outras diversas. Assim, pode-se atingir uma quantidade bem variada de tonalidades, chegando a 16 milhões, segundo André Augusto.

Por ser uma fonte monocromática de luz, que não gera raios UV e infra-vermelho, o LED chega a uma saturação de cor e brilho  bem maior se comparado às opções atuais.


Acompanhe, na segunda parte dessa reportagem, o que os especialistas apontam como pontos fortes dessa tecnologia, a relação com o meio ambiente e a explicação da montagem da principal estrutura para comunicação visual que utiliza esse tipo de fonte de luz.

TODAS AS MATÉRIAS DA SEÇÃO GERAL
 
10/11/2009 - Faça-se luz

30/09/2009 - Remoção sem rastros

30/09/2009 - Consciência ambiental