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Consciência ambiental

O descarte correto do lixo gerado na produção é algo que signmakers e gráficas digitais devem praticar com mais contundência; veja os possíveis destinos para substratos e resíduos oriundos do processo

Consciência ambiental

O descarte correto do lixo gerado na produção é algo que signmakers e gráficas digitais devem praticar com mais contundência; veja os possíveis destinos para substratos e resíduos oriundos do processo

Por: Victor Bianchin

Meio ambiente. Um assunto que tem ocupado as manchetes dos telejornais e a cabeça dos políticos do mundo devido à crescente ameaça do aquecimento global. Os setores industriais estão cada vez mais certos de que é preciso diminuir seu impacto ambiental em prol de um bem maior. Nesse contexto, o setor gráfico e de impressão, como não poderia deixar de ser, também já se pergunta: o que fazer para ter uma atuação ambientalmente mais responsável?

Soluções

Reciclar, reaproveitar e descartar com responsabilidade. Essas são as principais diretrizes da gráfica ou birô digital que deseja dar um fim ambientalmente correto ao lixo que produz. Entre os dejetos produzidos pelo setor, figuram principalmente os substratos descartados após a utilização, mas também resíduos químicos, como tintas e solventes.
Muito desse lixo possui pode ser descartado corretamente. No caso dos substratos, é possível contratar empresas que fazem o recolhimento do material e o destina a companhias de reciclagem, reaproveitamento ou descartes afins. Já para os resíduos tóxicos, como tintas e solventes, existem empresas especializadas em fazer o descarte, seja por aterramento, seja por incineração em fornos industriais.

PVC e reciclagem

Em termos de reciclagem, o material mais adequado para esse fim na comunicação visual é o PVC, utilizado em lonas, chapas e banners. O PVC é 100% reciclável e é o único plástico que não é totalmente originado do petróleo. Ele é composto por 57% de cloro (derivado de cloreto de sódio, o popular sal de cozinha, recurso inesgotável na natureza) e 43% de eteno (derivado do petróleo).
Segundo o Instituto do PVC, entidade que agrega empresas que reciclam esse material, os plásticos representam, na composição média da coleta seletiva brasileira, cerca de 15% em peso – aproximadamente 2,2 milhões de toneladas por ano. Esse número representa apenas 4,7% do total de plásticos, e cerca de 0,7% do resíduo total gerado no país.
Ainda segundo o Instituto, os números são baixos porque o PVC é mais utilizado em produtos de longa duração, como tubos e conexões, fios e cabos para a construção civil. O longo ciclo de vida útil dos produtos feitos com o material termina por ampliar o tempo necessário para que eles se tornem resíduos. Para ter uma idéia, 64% dos produtos de PVC têm vida útil entre 15 e 100 anos. Outros 24%, de 2 a 15 anos, enquanto que apenas 12% são considerados descartáveis com durabilidade de até 2 anos.
Ainda assim, o número de peças de PVC descartado anualmente é bastante alto, e as empresas que trabalham na reciclagem do material já se tornaram um setor à parte. É o caso da Lumaplastic, de São Paulo, empresa que recicla cerca de 50 toneladas de PVC rígido por mês. O produto é recolhido por meio de empresas parceiras e depósitos de catadores. Após a retirada do material, ele é separado, lavado e moído, para depois ser encaminhado à produção, onde passa pelo processo de extrusão.
A extrusora é uma máquina industrial onde o material é depositado, moído ou transformado em pó, e injetado sob alta pressão numa forma para tomar as dimensões do produto que se deseja produzir. No caso da Lumaplastic, o PVC é reciclado no formato de canos e tubos, comercializados pela empresa.

Lona em projeto social

Para lonas vinílicas, que são compostas de mais de um material, não há reciclagem no Brasil, mas há reaproveitamento. Projetos que investem na reutilização de lonas aplicadas em outdoors e painéis têm visto seus negócios obterem retorno ao gerar um fim econômico e ambientalmente responsável para os substratos.
O Projeto Arrastão, organização sem fins lucrativos fundada na década de 1960, é uma das instituições que fazem o reaproveitamento de lonas e banners. O material é doado por empresas parceiras do Projeto, como Natura e Petrobras, interessadas em dar uma destinação ecologicamente correta às mídias. Quando ele chega à sede da organização, no bairro do Campo Limpo, em São Paulo, passa por um processo de seleção e limpeza e vai para as mãos de artesãs afiliadas ao Projeto. De acordo com o pedido, as costureiras desenvolvem protótipos que, após a aprovação, transformam-se em produtos úteis e decorativos, como acessórios de moda (bolsas, carteiras), itens de escritório (pastas para documentos, porta-arquivos, estojos, caixas), acessórios para mesa e cozinha (aventais, jogos americanos) e até brindes empresariais (sacolas promocionais, estojos, pastas).
Na produção, cada lote de material é separado para que seja usado de acordo com as características do produto a ser confeccionado. Bolsas, por exemplo, utilizam como matéria-prima lonas mais resistentes e coloridas, enquanto que a linha de escritório é confeccionada com lonas maleáveis, mais finas, de fácil manuseio.
Após a reserva da matéria-prima de acordo com a qualidade, as artesãs partem para a limpeza dos banners. A limpeza é feita sempre com água e sabão, já que produtos de limpeza, como álcool ou solventes, podem causar desbotamento nas cores da lona. Os outros componentes do banner – ilhós, tubos ou peças de madeira e ponteiras – são separados e destinados a outras áreas da própria organização para serem reutilizados.
A quantidade de lonas reaproveitadas por mês é variável e, até o momento, o Projeto Arrastão não possui quantificações. Mas a organização destaca que, como o objetivo é amenizar o impacto desse tipo de material no ambiente, toda lona que chega é reciclada. Até os pequenos retalhos são aproveitados, sendo utilizados para confeccionar um patchwork aplicado em bolsas.
Os produtos são comercializados em loja na sede do próprio Projeto Arrastão, nos sites www.arrastao.org.br e www.designpossivel.com e, também, em participações em feiras de artesanato e bazares beneficentes. A renda obtida é revertida para as artesãs, como parte do processo de formação contínua (que incluiu cursos e oficinas) pelos quais elas passam no Núcleo de Moda e Design da entidade. Em 2008, o Projeto Arrastão deve atender cerca de 500 pessoas.

Fora de São Paulo


O reaproveitamento de lona também já é realizado em outros estados. Especializada em produtos feitos com materiais reciclados ou reaproveitados, a EcoFábrica é uma empresa de Curitiba (PR) que passou, recentemente, a trabalhar com banners e lonas vinílicas. Ela adquire o material usado de fornecedores por valores de baixo custo ou, então, realiza parcerias em que o fornecedor entrega o material e se compromete a comprar os produtos produzidos a partir dele depois. Esses produtos são bolsas, em geral, e são comercializados no atacado.
O processo de reutilização, novamente, começa na separação entre os materiais e a limpeza dos mesmos. “Não recolhemos banners amassados”, salienta a sócia-diretora da empresa, Sonia Knopik, lembrando da dificuldade em trabalhar com o material nessas condições. Segundo ela, quando em desuso, os banners e lonas devem ser enrolados.
Após a limpeza, as peças são cortadas nas medidas das bolsas. Depois, para a impressão do logo dos clientes, as peças são estampadas com serigrafia. As partes cortadas são então costuradas para formar o produto final, que é revisado, limpo e entregue para o cliente.
O projeto é novo, ainda sem dados sobre renda e quantidade de material reaproveitado, mas já conta com o apoio do Governo do Estado do Paraná, primeiro cliente da empresa. “O processo é extremamente novo e ainda está sendo formatado”, diz Sonia. “Estamos verificando o que deverá ser feito ou melhorado para evitar a perda de tempo, por exemplo. Creio que iniciativas como essa deveriam ser incentivadas com a isenção de impostos, ou com a criação de pontos de coleta de material”, afirma.

Resíduos tóxicos

Quando o assunto se volta para tintas e solventes, que são materiais tóxicos e inflamáveis, o procedimento é outro. Como não podem ser reciclados e nem descartados diretamente no meio-ambiente, esses materiais precisam ser encaminhados a uma empresa – certificada pela Cetesb – que efetue de forma adequada o seu descarte.
Existem duas formas de dar cabo dos materiais: ou separando-os em aterros ou aproveitando-os como combustíveis em fornos que produzem cimento. Devido à escala em que são produzidos e em que podem ser fornecidos, os resíduos industriais se caracterizam como úteis substitutos parciais dos combustíveis fósseis.
A multinacional Veolia Serviços Ambientais, por meio de sua unidade Resicontrol em Sorocaba (SP), é uma das companhias que efetuam o serviço de queima. Ela atende a diversos setores e, da indústria de impressão, especificamente, recebe resíduos como efluentes, solventes, álcoois, tintas, panos, papéis e filmes de poliéster. Tudo é processado e encaminhado para a queima, mas, antes, passa por um processo rigoroso de controle e seleção.
O processo começa com a coleta de uma amostra do resíduo, que passa por análise físico-química para verificar sua elegibilidade, ou seja, para checar sua composição e se ele é passível de co-processamento. Se o material for aprovado, a Veolia e o cliente fazem um acordo comercial. Em seguida, são enviados documentos para solicitação de Cadri (Certificado de Aprovação de Destinação de Resíduos Industriais) para a Cetesb. Quando o documento é liberado, o gerador dos resíduos faz o envio dos materiais por meio de caminhão, que deve ser habilitado para transporte de produtos perigosos. Os resíduos devem estar armazenados em embalagens em bom estado, com rótulos e selos, garantindo a segurança do transporte e do manuseio.
Quando os resíduos finalmente chegam à unidade da empresa, eles são processados e encaminhados para queima. Em São Paulo, a Veolia mantém parceria com a Companhia de Cimentos Ribeirão Grande para envio do material. Após a queima, a empresa geradora dos resíduos recebe um certificado de destinação para aqueles materiais.

Atenção à lei

Como em tudo que diz respeito à manipulação de materiais industriais, é preciso ficar atento à legislação na hora de adotar um procedimento para reciclagem e descarte de materiais e resíduos.
Para atuar na área de reciclagem de materiais industriais sólidos – categoria que inclui não só PVC, vidro e afins, mas também as tintas e outros resíduos industriais –, o empresário precisa obter o licenciamento ambiental, devendo comparecer à Agência Ambiental em cuja área de atuação esteja a futura empresa, para consulta sobre as condições de requerimento. O licenciamento ambiental se constitui na licença prévia, na licença de instalação e na licença de operação. A empresa só poderá iniciar suas operações após a obtenção da licença de operação.
Para efetuar o descarte de tintas e solventes, a empresa deve requerer, a cada operação, o Cadri (Certificado de Aprovação para Destinação de Resíduos Industriais), que é emitido pelo órgão ambiental responsável – no caso do Estado de São Paulo, a Cetesb. Existe um formulário para obtenção dessa documentação disponível no site www.cetesb.com.br. A Cetesb possui um cadastro das empresas que trabalham com o Cadri. Então, para o signmaker e birô interessados em contratar um serviço desse tipo, vale uma consulta para certificar-se de que a empresa está de acordo com a lei.
Os pedidos de licenciamento ambiental, quando aprovados, são constituídos de exigências técnicas para as quais o órgão ambiental realiza a fiscalização. O não-cumprimento das exigências acarreta na aplicação das sanções previstas na legislação ambiental, podendo ocorrer penalidades de advertência, multas e até o fechamento da empresa, caso ela seja apontada como fonte de poluição ambiental.

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